
Ao amigo Ezupério de Isaura, por gostar de coisas simples
Pensem comigo: se os famosos sete pecados são “capitais”, eles se destinam exclusivamente aos moradores da “capital”. Certo. Então, seguindo esse raciocínio que parece lógico, quem mora na roça precisa de pecados próprios. Sim, precisa. Senão vão dizer que é preconceito. E deve mesmo ser. Pelo jeito, querem interferir até no modo de pecar do sertanejo.
Um revolucionário dirá: “é censura”. Um advogado alterado: “é contra a lei”. Um político, que usa sempre do mesmo discurso: “é antidemocrático”. Um professor: “é a globalização”. O padeiro, com medo, pedirá: “ deixem a gula livre”. Os banqueiros se posicionarão a favor dos avarentos. Os padres, enfurecidos, gritarão: “jogue esse herege desse Erikson na fogueira”.
Mesmo com apocalípticos e integrados ao lado, o que é certo é certo: cada um dança conforme a música que toca. Portanto, sob riscos de aplausos e morte, hei de apresentar a tese que irá revolucionar o mundo. Assim como “o sertão vai virar mar”, conheçam o grito de independência dos sertanejos, os sete pecadores rurais:
1 – Sameado- aquele cara esfomeado, agoniado, que vive à beira do fogão, apressando a cozinheira, esperando comida. É preciso cuidado: ansiedade, para quem é da roça, não é bom. Ter o olho maior que a boca é pior ainda.
2 – Farturento – esse vive na fartura e tudo é motivo de festa. Qualquer coisinha já mata boi, porco, galinha. No casamento das filhas convida todo mundo e compra os tachos maiores que encontrar, nas quengas coloca mais frango que fubá. O risco é ficar endividado fácil.
3 – Gongo – sabe aquele bicho preto que parece uma minhoca, só que maior, e quando a gente trisca já enrola? Pois é, tem muita gente que também gosta de enrolar, mas diferentemente do gongo, esse enrola ao comprar e não pagar.
4 – Olho gordo – é o famoso invejoso. Não pode ver nada que quer. Se o vizinho faz uma horta, também faz. Se o irmão compra uma antena parabólica, uma bicicleta ou um jegue, também quer. Não importa as prestações. Compra carro financiado só pra competir. E o problema é quando não pode ter, aí o que faz é agorar as coisas dos outros.
5 – Gaiato (exibido) – esse sempre morre cedo. É aquele que gosta de mexer com filhas e mulheres alheias. Se acha todo esperto, mas esquece que pais e cornos são valentes e que espingarda também mata gente.
6 – Canguinha (mão-de-vaca) – o que não solta dinheiro nem que a galinha nasça dente. O arroz é de grão contado e na panela de feijão só tem água. Só vive de engordar gado e esconder a fortuna no colchão. Só usa roupa rasgada e havaiana. Nega até a morte que é rico.
7 - Linguarudo – Esse adora calçadas e cozinhas. Sabe descrever a roupa que todo mundo estava vestido ontem e conhece todas as meninas grávidas só de olhar. Discorda piamente do famoso ditado popular: “o peixe morre pela boca”. Esse, quando morrer, vai precisar de dois caixões: um pra ele, outro pra língua.
É isso. Espero que você não tenho dado risada disso aqui, é sério. Aos pecadores, se não cuidarem, hão de queimar no fogo do inferno.
Pensem comigo: se os famosos sete pecados são “capitais”, eles se destinam exclusivamente aos moradores da “capital”. Certo. Então, seguindo esse raciocínio que parece lógico, quem mora na roça precisa de pecados próprios. Sim, precisa. Senão vão dizer que é preconceito. E deve mesmo ser. Pelo jeito, querem interferir até no modo de pecar do sertanejo.
Um revolucionário dirá: “é censura”. Um advogado alterado: “é contra a lei”. Um político, que usa sempre do mesmo discurso: “é antidemocrático”. Um professor: “é a globalização”. O padeiro, com medo, pedirá: “ deixem a gula livre”. Os banqueiros se posicionarão a favor dos avarentos. Os padres, enfurecidos, gritarão: “jogue esse herege desse Erikson na fogueira”.
Mesmo com apocalípticos e integrados ao lado, o que é certo é certo: cada um dança conforme a música que toca. Portanto, sob riscos de aplausos e morte, hei de apresentar a tese que irá revolucionar o mundo. Assim como “o sertão vai virar mar”, conheçam o grito de independência dos sertanejos, os sete pecadores rurais:
1 – Sameado- aquele cara esfomeado, agoniado, que vive à beira do fogão, apressando a cozinheira, esperando comida. É preciso cuidado: ansiedade, para quem é da roça, não é bom. Ter o olho maior que a boca é pior ainda.
2 – Farturento – esse vive na fartura e tudo é motivo de festa. Qualquer coisinha já mata boi, porco, galinha. No casamento das filhas convida todo mundo e compra os tachos maiores que encontrar, nas quengas coloca mais frango que fubá. O risco é ficar endividado fácil.
3 – Gongo – sabe aquele bicho preto que parece uma minhoca, só que maior, e quando a gente trisca já enrola? Pois é, tem muita gente que também gosta de enrolar, mas diferentemente do gongo, esse enrola ao comprar e não pagar.
4 – Olho gordo – é o famoso invejoso. Não pode ver nada que quer. Se o vizinho faz uma horta, também faz. Se o irmão compra uma antena parabólica, uma bicicleta ou um jegue, também quer. Não importa as prestações. Compra carro financiado só pra competir. E o problema é quando não pode ter, aí o que faz é agorar as coisas dos outros.
5 – Gaiato (exibido) – esse sempre morre cedo. É aquele que gosta de mexer com filhas e mulheres alheias. Se acha todo esperto, mas esquece que pais e cornos são valentes e que espingarda também mata gente.
6 – Canguinha (mão-de-vaca) – o que não solta dinheiro nem que a galinha nasça dente. O arroz é de grão contado e na panela de feijão só tem água. Só vive de engordar gado e esconder a fortuna no colchão. Só usa roupa rasgada e havaiana. Nega até a morte que é rico.
7 - Linguarudo – Esse adora calçadas e cozinhas. Sabe descrever a roupa que todo mundo estava vestido ontem e conhece todas as meninas grávidas só de olhar. Discorda piamente do famoso ditado popular: “o peixe morre pela boca”. Esse, quando morrer, vai precisar de dois caixões: um pra ele, outro pra língua.
É isso. Espero que você não tenho dado risada disso aqui, é sério. Aos pecadores, se não cuidarem, hão de queimar no fogo do inferno.





